O Blog entrevista Mindset Experts

Desejar coisas maiores…

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Refere Luís Osório, no seu livro “AMOR”, que “Aos filhos e amigos desejo coisas maiores que não sejam banais, que não sejam como todos, que não desejem o que deseja a maioria, que sejam eles uma ilha rodeada de cada vez mais ilhas.” É neste enquadramento que o Blog fez surgir esta nova rubrica, no seu 2º aniversário, a 15 de Setembro/17.

A nova rubrica designa-se por Mindset Experts, onde tive o enorme privilégio de entrevistar algumas das pessoas de maior referencial na área da Educação, da Formação e do Desenvolvimento Pessoal e Social.

Como blogger, Gestora de Pessoas e QEPerformer, devo assumir-me também como uma Agente de Mudança, em prol de uma sociedade mais realizada, equilibrada e feliz e é neste sentido que devo juntar esforços com outros/as Agentes de Mudança, pessoas de enormes valências e provas dadas, que têm contribuido bastante para o bem comum, designadamente para a maior felicidade de crianças, jovens, pais, educadores, professores e sociedade em geral.

Cada Mindset Expert tem percursos, valências, públicos-alvo, modos de atuação e de intervenção distintos mas que se encaixam e complementam como as peças de um puzzle.

Não será essa a grande nova tendência necessária à sociedade do futuro? A soma de valências e de contributos que se complementam para um bem maior? Acredito veementemente que sim. Que os/as Agentes de Mudança são os fragmentos de um futuro feliz.

Dou antecipadamente as boas-vindas a todos/as os/as Mindset Experts que carinhosamente aderiram ao meu convite. É um enorme privilégio. Bem-hajam.

Quando a felicidade é uma missão de vida…

As pessoas que marcam a diferença são as que se distinguem pelos valores e que fazem da sua missão de vida um contributo para perdurar no tempo. Conheci a Cristina Nogueira da Fonseca em Torres Vedras, numa das suas palestras sobre parentalidade e numa hora marcou-me pela positiva. De uma alegria e boa disposição contagiantes, foi simplificando o que normalmente tendemos a complicar. A felicidade tem sido a sua missão de propósito e fiquei rendida.

Nesse sentido, e porque entretanto criei a rubrica Mindset Experts no Blog, foi um dos nomes que teria de convidar e aqui a temos:

PM – A Cristina considera-se uma Happyologist. Porquê?

CNF – Quis uma nomenclatura que ficasse no ouvido, que levasse as pessoas a erguer a sobrancelha, happyologist? Mas o que é isso? Um happyologist é alguém que se dedica a estudar a felicidade e a promover a felicidade.  Essa tem sido a minha missão e o meu propósito nos últimos anos.

PM –  Como se decidiu “abraçar” a causa da Felicidade?

CNF – Grande parte da minha vida foi-me acontecendo, o interesse por este tema da Felicidade e todas as suas variantes, foi-me chegando com o meu já vasto trabalho com as famílias e também no decorrer do meu trabalho comigo mesma. Começou a ser-me importante perceber melhor os caminhos objectivos para a felicidade.

PM –  Como foi o início dessa missão de vida? Difícil? Desafiante?

CNF – Foi complexa.  Tenho a grande aptidão para complicar os meus próprios percursos e “felizmente” também a competência para voltar ao meu rumo. Numa fase inicial, foi-me importante estudar o mais possível, ler o mais possível, testar, questionar, reflectir. Ao longo deste processo devo ter encontrado tantas dúvidas quanto certezas. Foi exigente chegar até aqui mas hoje, quando olho para o meu plano de acção, para o meu método e para o meu trabalho, orgulho-me imenso da seriedade e do rigor com que trabalho este tema.

PM – O que foi retirando e experienciando no decorrer do seu trabalho de terreno junto de famílias e empresas?

CNF – Três certezas fundamentais:

A primeira é que que a felicidade continua a ser o objectivo de todos os seres humanos.

A segunda é que as nossas crenças são o nosso maior obstáculo.

A terceira é que a maioria das pessoas não mergulha em coragem para reflectir as suas infelicidades e não desenvolve planos objectivos para aumentar os seus níveis de bem-estar, muitas não sabem sequer o que as faria felizes ou simplesmente associam a felicidade a sorte ou utopia. 

PM –  Também se designa curiosamente por HappyTown Mayor. Em que consiste?

CNF – Happytown é uma cidade imaginária que tem lugar dentro de cada um de nós, ela representa o nosso coeficiente de auto-conhecimento, o nosso domínio na definição de objectivos concretizáveis e a nossa aptidão para a resiliência. Happytown é uma emoção, simboliza a convicção que temos da nossa competência, a esperança, o optimismo na nossa capacidade de atingirmos resultados diferentes,de mudarmos de estrada, de rumo, de sairmos de estados emocionais negativos e de nos “fazermos” mais felizes.

A Mayor é quem tem a chave da cidade, a minha chave é a minha informação e formação, é a mensagem que passo nos meus trainings, nas palestras, no meu dia a dia.

PM –  Como seria sua cidade perfeita e feliz?

CNF – As cidades felizes não precisam de ser perfeitas. Creio que uma comunidade que permite que qualquer ser humano que nela vive, possa florescer, pertencer e contribuir, é uma cidade feliz.  Uma cidade onde há lugar para todos e para as suas características e competências únicas.

PM – Muito obrigada Cristina! A sociedade precisa de mais “irreverentes” felizes!

Um até sempre.

Um professor e a nobreza de uma causa…

Jorge Rio Cardoso é natural de Lisboa e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro. É professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e técnico superior do Banco de Portugal. Desde 2008, com o seu inovador livro O Método Ser Bom Aluno – ‘Bora Lá?, abraçou a causa de combate ao insucesso e abandono escolar. Tem percorrido centenas de escolas portuguesas conseguindo, com sucesso assinalável, cativar muitos alunos para o desafio do conhecimento.

Neste sentido, pela nobreza da causa que abraçou com entusiasmo e pelos resultados alcançados, quer com os seus livros, quer com o seu trabalho de terreno, o Blog convidou o Profº Jorge Rio Cardoso para integrar a equipa de Mindset Experts da nova rubrica do Blog, que hoje é lançada. E estivemos à conversa.

P.M. –  Profº Jorge, como se decidiu “abraçar” a causa da Educação?

J.R.C. – Bom, isso tem a ver com a minha origem, na medida em que comecei por ser um mau aluno e isso marcou-me bastante. Depois, comecei, enfim um bocadinho à minha custa, a aprender métodos de estudo que eu não tinha, a interiorizar regras e comecei-me a aperceber de que as notas são evidentemente importantes mas que não são tudo. Daí que, porque passei por essa situação, do que se sofre quando se é um mau aluno, resolvi escrever um livro de auto-ajuda para quem passa por este tipo de problema.

P.M. –  Foi um processo difícil ou fácil e natural?

J.R.C. –  Foi simples. O primeiro passo foi escrever e lançar o livro em 2008, o qual teve 4 edições, teve muito sucesso. Depois, as escolas começaram-me a solicitar para fazer palestras sobre o tema e como se dava a coincidência de ser professor e de ter alguma facilidade de comunicação, as coisas foram acontecendo de forma crescente e com naturalidade. De salientar que esse primeiro livro que escrevi não chegou aos tops nacionais mas em 2012, foi o livro mais vendido em Portugal num determinado período e durante algumas semanas, tendo em conta o top que regista as vendas efetivas e que reúne as livrarias que nós conhecemos (Fnac, Bertrand, etc), além  de todos os pontos de venda existentes a nível nacional.

As solicitações das escolas têm vindo a crescer desde essa altura e todos os anos faço cerca de 300 palestras. É claro que existem dias em que faço 3 palestras (uma para alunos, outra para professores e outra para pais) mas existem muitas palestras a que não posso aceder por causa da distância. Mas na Madeira, nos Açores e até nas comunidades de emigrantes, através do Instituto Luís de Camões, tenho feito sessões para escolas e para pais.

P.M. –  O Prof. Jorge identifica-se com os jovens de hoje em dia?

J.R.C. – Sim, completamente. Às vezes tem-se a ideia de que eles não retêm muito conhecimento e hoje em dia o reter conhecimento e o reproduzir não é o aspeto mais importante. O mais importante é sabermos pensar, sabermos trabalhar juntos, ter a competência de trabalhar em equipa, criar empatia com os outros. Acho até que os jovens de hoje em dia são melhores do que aqueles do meu tempo, em que cada um ficava no seu cantinho e em que havia alguma dificuldade de comunicação.

P.M. – Que principais diferenças aponta entre o Ensino atual e o de “antigamente”?

J.R.C. – Há bastantes diferenças e creio até que haverá uma grande evolução nessa matéria. Aliás, a política do Ministério atualmente tem ido muito nesse sentido. Acho que durante várias décadas assistiu-se à cultura da nota, em que a nota era tudo e hoje em dia nota-se que as competências pessoais, digamos, a educação com valores, é muito importante porque uma boa nota às vezes pode esconder um aluno egoísta, que não tem respeito pelos outros. É perfeitamente compatível que isso aconteça e portanto, mais que a nota e isso não quer dizer que a nota não seja importante, interessa ter um espírito crítico, interessa saber trabalhar cooperativamente e adquirir essas competências que são essenciais ao longo da vida, nomeadamente a solidariedade e o respeito pelo outro.

P.M. –  Tem sido difícil sensibilizar os jovens para a importãncia do sucesso escolar?

J.R.C. – Talvez possam não estar muito sensibilizados mas as palestras têm exatamente esse objetivo, o de os “despertar” e de ganhar alguns alunos para esta causa. Aliás, quando eu digo que comecei por ser um mau aluno, acaba por haver ali uma grande identificação, fazendo-os pensar que “ok, este foi um mau aluno e agora até dá palestras”. Portanto, ganha-se sempre alguém para a causa. Nunca hão-de ser todos, claro, pois isso seria utópico mas há muitos alunos, sobre os quais tenho recebido feedback das pessoas, dos pais, que agradecem porque de repente, eles vêm ali alguma mudança, em que os jovens começam a ver que conseguem ter tempo para divertir-se e ao mesmo tempo estudar e ter uma vida equilibrada.

P.M. –  O que foi retirando e experienciando no decorrer do seu trabalho de terreno junto das Escolas? Tem sido estimulante?

J.R.C. – Sim, bastante estimulante. Em geral, quando se faz esse trabalho, tem sempre continuação porque as escolas pedem para fazer mais atualizações, ou para alunos dos anos seguintes ou porque houve resultados positivos no ano anterior. Geralmente ficamos com uma relação muito próxima com as escolas e aqui falo essencialmente de escolas que não estão tão bem classificadas no Ranking. Agora estou-me a lembrar, por exemplo, da Escola Secundária do Mogadouro, que era a última escola do Ranking e em que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, com o dinheiro que sobrou da campanha, deu um subsídio porque precisamente me tinha perguntado qual era a pior escola classificada para que pudesse ajudar, em que se fez um trabalho muito interessante e em que nesta altura, já não se encontra em último lugar. Este é um trabalho que não é só meu, é de todos, uma vez que se eu vou a uma escola, faço uma palestra, explico métodos de estudo e em que depois não há continuação com os professores de lá, as coisas não atingem o seu objetivo. A ideia é que seja um trabalho conjunto, que o esforço e os “louros” sejam divididos.

P.M. –  Quais é que considera serem os aspetos a alterar para um maior sucesso escolar?

J.R.C. – Pois eu diria que é a autonomia das escolas. Por outro lado, o problema do insucesso escolar, o que o motiva, pode ser diferente no norte do país, no sul ou no interior, pelo que as escolas devem ter a autonomia para tomarem as medidas mais acertadas para obviar o insucesso na sua região e isso é muito importante. Depois, o ensino também tem de fazer com que o aluno construa o seu próprio conhecimento, ou seja, se estamos a falar de História de Portugal, pode-se propor que o aluno explique algo, ou através de um vídeo, ou através de banda desenhada ou de outra forma qualquer, tornando a aprendizagem mais atrativa e possibilitando a construção do conhecimento. Hoje, o ensino ainda é muito expositivo e portanto, há muitos alunos que acham tudo aquilo uma maçada. Depois, a pedagogia tem de mudar um bocado, porque os alunos, pelo menos até aos 15 anos, são muito focados naquilo que é o presente, o presente para eles é tudo e nós se tivermos de explicar o passado e perspetivar o futuro, temos de passar pelo presente, descer um bocadinho à realidade deles, mostrando algum respeito pelo aluno. Se fizermos isso, e eu poderia dar aqui muitos exemplos de como isso se faz, acaba-se por conseguir que os alunos fiquem mais estimulados e nesse aspeto, comecem a ligar mais ao estudo.

P.M. – Qual deverá ser a responsabilidade dos pais,  professores e Ministério da Educação?

J.R.C. – Começamos pelo Ministério da Educação, que terá de dar mais autonomia às escolas e aqui existem já muitas escolas que já assinaram contratos de autonomia. Depois, as escolas deverão retirar alguma informação das experiências positivas levadas a efeito por outras, nomeadamente o colocar os jovens a falar pois por vezes são detetadas dificuldades de comunicação oral e isso é negativo. Às vezes estamos a falar de um problema que é quase social –  há países e em que a televisão vai para a rua e de repente todos falam e opinam, até mesmo pessoas que não têm uma grande escolaridade – em Portugal vê-se ainda alguma dificuldade de expressão das pessoas, em reunirem consenso e terem um pensamento estruturado. Isso faz-se praticando. Depois, também a responsabilização, a partilha, as reuniões na escola, são aspetos positivos que estimulam a cooperação. Nas escolas com contrato de autonomia existe um ensino mais flexível, em que os alunos são avaliados quando acham que estão em condições de serem avaliados. Isto é, evidentemente, um sistema mais amigável e motivador.

P.M. –  E os professores, com essa maior flexibilidade, penso que também se auto-motivam para o ensino, não concorda?

J.R.C. – Claro. A questão dos professores é que têm programas para dar, vão ser avaliados por aí, se deram ou não o programa, e ficam com pouco tempo para outras competências tão ou mais importantes que as competências cognitivas. Se um professor não deu o programa é “chamado à pedra”.

Existem quatro etapas num ensino eficaz: a primeira é que o professor perceba o que tem de dar e estar muito por dentro dessa matéria. Depois, há uma coisa tão ou mais importante que é “como vou dar essa matéria”, como vou conseguir passar as ideias de forma eficiente e eficaz aos alunos. Porque eu posso chegar ali e expor ou posso passar um vídeo, posso arranjar uma atividade interativa ou fazer uma visita de estudo. Há muitos aspetos e as aulas têm altos e baixos, tem que ter vários ritmos no sentido de ser uma aula motivadora. Às vezes até uso a imagem de um eletrocardiograma, em que vai acima e vai abaixo e quando isso não acontece é porque a pessoa morreu. A aula é exatamente assim. Uma aula morta é uma aula que não tem motivação. Depois, o terceiro ponto é o professor ter alguns elementos que lhe possam indicar se os alunos aprenderam ou não, em que o professor possa ter um feedback sobre se as aprendizagens foram conseguidas e isso, claro, pode ser um teste ou podem ser perguntas em aula. O quarto e último ponto é exatamente ver o que vai fazer com os alunos que não aprenderam, onde tem de existir pedagogias alternativas para não ensinar da mesma forma, na medida em que os resultados seriam os mesmos. Todos nós não aprendemos da mesma maneira, nem ao mesmo tempo, temos ritmos diferentes e por isso tem-se de adaptar as pedagogias aos que ficaram para trás.

P.M. – Mas, muitas vezes o que os professores dizem é que não têm tempo, que não têm tempo quase para dar o programa, quanto mais para ajustarem pedagogias…

J.R.C. – Claro, existe o problema de os programas serem por vezes muito extensos, apesar disso ter vindo a ser melhorado e depois o facto de as turmas serem muito grandes, o que acaba por tornar difícil a questão de dar a matéria e de se conseguir chegar a todos.

P.M. –  Quais são os desabafos/dificuldades que tem registado junto dos/das jovens?

J.R.C. – Pois, os jovens acham sempre que estudar é um grande aborrecimento e aquilo que se tem de dizer é que há coisas mais agradáveis, mas que esse esforço vai sempre valer a pena. Algumas vezes os jovens não têm método de estudo, o que dificulta tudo.

P.M. –  Refira três adjetivos fundamentais para se ser um bom aluno.

J.R.C. – Esforço, dedicação e persistência são as qualidades que um bom aluno deve ter. Sem elas, será sempre difícil um aluno poder tornar-se num bom aluno.

Muito obrigada Profº, pela disponibilidade com que acedeu ao meu covite. As maiores felicidades e êxitos para esta causa. Continue a inspirar os nossos alunos para o desafio do conhecimento e as escolas para o desafio da aprendizagem. Até breve.

Somos a razão da nossa vida…um encontro inspirador

Conheci a Coach Fernanda Ferreira há sensivelmente 2 anos. Assisti a 3 sessões de Coaching e Feng Shui, tendo daí resultado uma afinidade e amizade quase imediatas.

A Fernanda cativa-nos facilmente pela sua “leveza”, transparência, boa energia e simpatia. Considero-a uma Mindset Expert, tendo o seu percurso de vida permitido-lhe vivências que a redirecionaram para a área do Coaching e Feng Shui, um processo integrado que trabalha o bem-estar emocional, físico e espacial e que tem conduzido a resultados extraordinários.

Recentemente tomámos café e fiz-lhe o convite para participar na rubrica Mindset Experts do Blog, tendo daí resultado a seguinte entrevista:

P.M. – Fernanda, conta-me como te decidiste optar pelo Coaching?

F.F. – Foi mais uma cadeia de acontecimentos que me levaram a decidir dar este passo; mas, acima de tudo foi ter encontrado algo que procurava sem saber. Foi a minha procura de empreender o meu autoconhecimento e de ter uma experiencia diversificada a nível pessoal e profissional que me fizeram querer encontrar uma forma de “juntar” tudo num modelo de transformação pessoal para partilhar com mais pessoas. No meu caso quis criar uma prática de vida mais equilibrada e saudável e fui praticando e aprendendo o que me apoiava nessa construção. Depois foram crescendo as formas de partilhar com as pessoas que também querem melhorar a qualidade da sua vida a partir de si mesmas, do seu interior e das suas práticas quotidianas. E como sou tão entusiasmada com as dinâmicas de transformação que utilizo e com os resultados que as pessoas obtêm, está a ser uma ação de inspiração com um ritmo crescente e feliz. 

P.M. – Há quanto tempo desenvolves esta atividade?

F.F. – Desde 2011 mas foi em 2013 que me concentrei inteiramente à atividade, e tenho estado em contínuo processo de auto desenvolvimento de práticas e aprendizagens, de técnicas que integro na minha ação como Coach Pessoal, com valências inovadoras como o Feng-Shui dos espaços.

P.M. – Qual tem sido a resposta das pessoas às dinâmicas de Coaching que desenvolves?

F.F. – Sendo dinâmicas novas para a maioria das pessoas, as que aderem ficam fãs. Ocorre mais serem dois tipos de pessoas: as que identificam um aspeto pessoal concreto que querem mudar, por alguma situação desfavorável que vivenciam no momento, ou as que estão recetivas para aprender como podem melhorar aspetos pessoais que lhes tragam maior realização e bem-estar. São sempre caminhadas muito sentidas e de grande descoberta e expansão para elas e para mim.

P.M. – Tem sido gratificante?

F.F. – Há dias em que não tenho palavras, costumo dizer que quando o coração “fala” não é preciso mais nada. Há transformações de vida incríveis e momentos de clareza que permitem com que as pessoas possam escolher novas práticas e atitudes mais de encontro ao que querem verdadeiramente. A gratificação da contínua aprendizagem e dos resultados e partilha desses acontecimentos são vividos com grande alegria. Fiz a mudança da minha vida que tornou possível o que era uma possibilidade e sou muito grata e feliz por fazer o que me inspira e inspirar outras pessoas, também elas comprometidas a melhorar a si mesmas, as suas relações e o contexto social.

P.M. – Que males pessoais e sociais identificas na nossa sociedade?

F.F. – Preciso de mais espaço para falar deles Silvia ;). Sucintamente, no âmbito dos grupos exploro ainda mais as dinâmicas sociais, e este é o cerne de toda a ação que desenvolvo. A mudança social em que participo agora é no contínuo das minhas anteriores formas de intervenção social.

Um dos males que mais me incomoda, e posso tocar na ferida para algumas pessoas, é o mal social do queixume em Portugal. É um hábito que está em todo o lado e que a grande maioria das pessoas pratica sem refletir o quanto isso limita e influência em todas as dinâmicas que se tem. Queixar-se é o contrário de procurar encontrar soluções, opções, de ver as coisas com mais objetividade, de avançar no que for. Uma sociedade de pessoas que se queixam de tudo é a mesma que pouco faz por mudar as coisas que são necessárias, é uma sociedade negativa. Exploro isso em termos práticos com as pessoas de modo a que aprendam a escolher outra postura social, e consequentemente elas próprias reconhecem de imediato o quanto isso lhes traz mais perspetiva e confiança. Fico-me por este mal social. O seu peso é demasiado grande e interpelo quem esteja a ler que comece a “escutar” a forma como comunica ao longo do dia sobre as coisas que lhe acontecem, que assiste ou que ouve. Só um dia basta para que se tome noção do quanto este mal está na sociedade, através de cada pessoa que o pratica, e como é tão fácil “curá-lo”. Se cada um deixar de “padecer” dele, a sociedade pode mudar.

Todos podem pensar antes de se queixar, querer encontrar outros pontos de vista, aprender a procurar os aspetos positivos em detrimento dos negativos, escolher antes de repetir algo que alguém disse, só porque todos se “queixam” do mesmo…Assim este mal pode começar a deixar de o ser, é assim que se muda a sociedade, cada um a contribuir, favoravelmente, não há outra forma.  

P.M. – Como achas que evoluirá a sociedade?

F.F. – Esta era mais uma grande conversa Sílvia… A evolução da sociedade fez-me estudar muito a procurar respostas. A licenciatura em Relações Internacionais foi um marco dessa busca de sentido social ao longo dos tempos. Tudo o que fiz e aprendi foi numa integração do tempo em que vivemos, como cá chegamos e o que estamos a construir. Depois de tantas abordagens e realidades conhecidas, a minha perceção, a partir da qual fundamento toda a minha atual ação pessoal e social, é que a evolução social será cada dia mais rápida, e com uma tónica tecnológica de níveis que a maioria das pessoas não está ainda preparada para acompanhar, mas que o desafio passa pela preparação das pessoas em saber lidar com a rapidez dos processos, com o que nem sempre será equilibrado. E são as pessoas que se preparam humanamente para essas mudanças, que melhor saberão lidar com contextos novos e desafiantes. Mas a evolução não pára, sempre assim foi. É urgente o retorno aos valores humanos, à socialização de proximidade com os outros, à autenticidade individual, mas esta é uma escolha que cabe a cada um e a maioria está a alhear-se mais do que a se aproximar de si mesmo e dos outros. 

O desenvolvimento do Autoconhecimento e da Criatividade pessoal é um dos fatores que vejo como mais diferenciadores no futuro. As pessoas com competências de autoconhecimento e criativas, sabem encontrar alternativas pessoais e de participação social mais sustentáveis. São as que têm maior capacidade de serem mais felizes, ao realizarem, criarem e se dedicarem às suas oportunidades,por desenvolverem uma mentalidade mais aberta e disponível para aprender e se ligar aos outros.

P.M. – O que te vai na alma?

F.F. – Alegria por ter vindo a encontrar formas e contextos de vida que me apoiam a ser e estar com um sentido de pertença humana que me preenche. A vontade de me expressar cada dia mais amplamente, a partilhar formas de vida que promovem o bem-estar e a conexão humana, com os espaços e a natureza…Uma felicidade que acreditava se podia aprender e praticar e que é hoje uma verdade que vivo em partilha com os outros.

P.M. – Que mensagem gostarias de deixar agora às pessoas?

F.F. – Que somos a razão da nossa vida e que por mais que estejamos habituados ao que fomos, podemos melhorar realidades pessoais se assim o quisermos. É preciso aprender a agir em nosso benefício e aí, muitas vezes, é necessário aprender a fazer de outras formas e a pensar com outra visão. E se o querem mesmo, que tenham a força para avançar até chegar ao que vos faça sentir bem e em paz convosco mesmos e com os outros. Vivemos no tempo disso acontecer mais facilmente, e há meios e pessoas para vos apoiar se assim o decidirem. Inspirem-se a mudar positivamente e a serem felizes!

Grata Fernanda. É sempre bom trocarmos “dois dedos de conversa” com quem nos acrescenta e nos traz saudáveis sinergias. Continua a inspirar. Até breve.

A Escola de Valores e a humanização…o compromisso ético da Educação

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Nascido na cidade do Porto, em 1951, o Profº José Pacheco tem sido, desde há largos anos, um grande dinamizador da Educação democrática e um crítico do sistema tradicional de ensino. Foi eletricista, formou-se em Engenharia, integrou o Ensino, como Profº primário e universitário,  o Conselho Nacional de Educação e é mestre em Educação da Criança, pela Universidade do Porto. Na sua opinião – e na minha também – a aula tradicional é um sistema obsoleto de reprodução de conteúdos, que deixa a desejar naquilo que é o mais importante objetivo educacional: a humanização do indivíduo.

Mentor e prioneiro de uma nova estratégia educativa, implementada na Escola Básica da Ponte, em Santo Tirso, na década de 70 e que inclui referenciais organizacionais, pedagógicos e metodológicos próprios, ao abrigo do Contrato de Autonomia, em meados de 2017 o Profº José Pacheco é já o indutor de mais de 100 projetos para uma nova Educação no Brasil e colaborador voluntário no Projeto Âncora, que segue o mesmo método de ensino do da Escola da Ponte.

Considero-o como um verdadeiro mentor de uma Educação eficiente e eficaz, uma Educação de valores, com imensas provas dadas de sucesso e de bem-estar educacional, que torna os/as alunos/as felizes.

É por tudo isto que convidei o Profº Pacheco a ser entrevistado no âmbito da rubrica Mindset Experts do Blog.

P.M. –  Profº, conte-nos como se verificou a tomada de consciência acerca da necessidade de mudança no sistema educativo.

J.P. – Nos idos de 1970, eu estava quase a desistir de ser professor. Sentia que, “dando aulas”, estava a excluir gente. Percebi que não devia continuar a dar aulas, mas eu não sabia fazer mais nada! Só sabia dar aula. A Ponte surgiu, talvez não por acaso, para me dar uma última oportunidade.

Era uma escola como qualquer outra, escola pública degradada, que albergava as chamadas “turmas do lixo”, maioritariamente constituídas por jovens de 14, 15 anos, que não sabiam ler nem escrever, e que batiam nos professores. Ali, encontrei duas pessoas, que faziam as mesmas perguntas que eu fazia: “porque é que eu dou aulas bem dadas e há alunos que não aprendem?”

Foi, então, que aconteceu algo inusitado. Como quaisquer outros professores, éramos profissionais competentes. Porém, deparávamo-nos com a falta de um compromisso ético com a profissão. Precisávamos mais de interrogações do que de certezas que nos tinham inculcado.

P.M. – Essa tomada de consciência foi imediata ou foi algo que foi acontecendo e se foi fundamentando à medida que lecionava?

J.P. – Foi um processo longo e doloroso. Chamaram-nos loucos, lunáticos e outros epítetos que, por pudor, aqui não irei reproduzir…

Quando fiz as primeiras intervenções públicas, mais do que dizerem que o projeto era um arroubo de jovem professor, diziam-me que, quando eu fosse mais velho, iria ganhar juízo. E os detratores agiram de forma violenta explícita. O projeto da Ponte foi feito de sofrimento e resiliência. Quando conseguimos alcançar excelentes resultados, o sofrimento maior foi termos descoberto que muitos desses ataques eram provenientes de escolas próximas. Apercebemo-nos de que o maior aliado de um professor é o outro professor, mas, também, de que o maior inimigo de um professor, que ouse fazer diferente para melhor, é o professor da escola do lado.

P.M. – Teve dúvidas quanto ao que poderia fazer, ao que podia introduzir de novo?

J.P. – Ainda hoje tenho dúvidas…

P.M. – Esse processo de mudança foi difícil de implementar?

J.P. – Um dia, talvez eu conte a história da Escola da Ponte. No decurso de mais de quatro décadas, foram muitas as ações da maldade humana dirigidas contra a Ponte. Da destruição da nossa horta à destruição do hospital de animais, que as crianças cuidavam com tanto desvelo, ações levadas acabo por criminosos a soldo de políticos locais, que pintaram com o sangue das vítimas na parede da escola: Morte ao professor. Do lançamento de panfletos, na calada da noite, contendo acusações falsas, até à publicação de boatos em jornais. Do terrorismo verbal, via telefone, até à agressão física. Há cerca de uma dúzia de anos e com burocráticos argumentos, um ministro de má memória também tentou destruir o projeto da Escola da Ponte. Os sindicatos, a universidade e a sociedade civil impediram que essa obscenidade ministerial obtivesse êxito. No caso de Monsanto, os professores permitiram que o autoritarismo imperasse e que critérios de natureza pedagógica fossem desprezados. Permaneceram apáticos. Mais uma vez, nada fizeram para acabar com a impunidade. É estranho e pesado esse obsceno silêncio.

P.M. – O que sentiu, aquando dos primeiros resultados?

J.P. – Sentimos um misto de surpresa e algum orgulho. Mas também cansaço e contenção. Quarenta anos depois, a Escola da Ponte tem nota máxima na avaliação externa do Ministério da Educação. Mas isso não ilude a necessidade de recomeçar, de rever processos, pois os projetos deverão estar em permanente fase instituinte.

P.M. – Um conceito de escola sem aulas, sem turmas, sem provas, em que os/as alunos/as são os protagonistas e com resultados comprovadamente eficazes. Em que reside este sucesso?

J.P. – Se, há mais de quarenta anos, o modo com a escola funcionava negava a muitos seres humanos o direito à educação, a escola não poderia continuar a ser gerida desse modo. Se o modo como nós trabalhávamos não lograva assegurar a aprendizagem a todos os alunos, nós não poderíamos insistir nesse modo de ensinar.

Quando modificamos o modo, asseguramos a todos o direito de ser sábio e feliz. Começamos a receber alunos expulsos de outras escolas, alunos chamados “deficientes”, acolhíamos jovens evadidos de outras escolas, enfim!  Todos se transformavam e aprendiam.

O “sucesso”, que referes, reside na recusa de práticas antiéticas.

P.M. – Como define uma Escola de valores?

J.P. – Escolas são pessoas. Não são edifícios! E as pessoas são os seus valores. Quando esses valores são transformados em princípios e os princípios são assumidos em ação, dão lugar a a projetos.  Bastará refletir sobre palavras chave de projetos do século XXI (comunidade, rede, círculo…). São incompatíveis com a manutenção de órgãos unipessoais e hierarquias burocratizadas. Autonomia não rima com hierarquia…

É necessário passar de uma cultura de solidão para uma cultura de equipe, de corresponsabilização, cooperação. Sozinhos, os professores nunca conseguirão ensinar tudo a todos.

O professor assume dignidade profissional, sendo autónomo-com-os-outros. Enquanto o exercício da profissão não se pautar por critérios de natureza pedagógica, enquanto a burocracia prevalecer em detrimento da pedagogia, os professores continuarão a ser considerados os “bodes expiatórios” dos males do sistema. Faltará apenas que os professores assumam atitudes coerentes com os valores contidos nos seus projetos de papel. Que, em todo o tempo de aprender prevaleça a prática de uma comunicação horizontal, dialógica, em contraste com a cultura predominante nas escolas, uma cultura assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos.

Sejamos esperançosos. Assisto ao surgimento de projetos geradores de espaços de convivência reflexiva, de que as escolas carecem. Vejo cuidar da pessoa do professor, para que ele se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores e alunos como pessoas. Vejo valores em prática.

P.M. – Que diferenças foram notadas na Escola da Ponte, entre os/as alunos/as do sistema anterior e os/as do novo sistema educativo?

J.P. – Sobretudo, uma mudança dos comportamentos, uma profunda mudança nas atitudes. Passaram de objetos de ensino a sujeitos em aprendizagem.

P.M. –  Neste momento, o Governo parece ter tido a vontade de mudar e existem um conjunto de Escolas que vão ser Escolas-piloto em termos de autonomia pedagógica. Não considera que existem já provas suficientes quanto ao “caminho” certo e que essa autonomia deveria ser alargada a todas as Escolas?

J.P. – Parece… Mas pressinto que se aproximam novas e subtis regulações.

Acredito nos professores e parto daquilo que eles são, para que se sintam seguros num processo de mudança de uma escola dependente para uma escola autónoma. Talvez apenas seja preciso que os professores, para além de serem competentes, sejam éticos, para que a mudança se opere.

O país alimenta um sistema de ensino baseado na burocracia. Recordo um lamentável episódio. No fim de um ano letivo, com assiduidade plena e significativas aprendizagens realizadas, os alunos da escola de Monsanto “reprovaram por excesso de faltas”. Eu sei que parece mentira, mas aconteceu…

Tudo começou em 2014, quando uma escola acabada de inaugurar foi encerrada pelo Ministério de Educação. Os pais dos alunos optaram pelo ensino doméstico, o agrupamento de escolas deu luz verde ao processo e as crianças foram acompanhadas por duas professoras. Porém, no primeiro dia de aulas do ano letivo seguinte, os pais foram informados de que o ministério não reconhecia a avaliação positiva aos alunos, atribuída pelas docentes. O ministério considerava ilegal a situação dos alunos, enquanto a Comissão de Proteção de Crianças afirmava que o alegado “abandono escolar” não fora provado.

Os pais dos alunos pediram nova transferência dos seus filhos para o ensino doméstico, pedido que, garantem, foi aceite. E, enquanto o caso não se resolvia, uma escola recém-inaugurada e que custou cem mil euros, esteve fechada. As crianças foram transportadas para a sede do município, que dista trinta quilómetros de Monsanto, duas viagens diárias impostas por burocratas, que “acham” que as crianças devem estar fechadas no interior de um edifício a que chamam escola, numa sala de aula com x metros quadrados de área, durante x número de horas em x dias ditos letivos.

P.M. – “A aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende”, é uma das suas frases. Fale-nos um pouco desse vínculo afetivo.

J.P.- Com ou sem novas tecnologias de informação e comunicação, a escola precisa ser reinventada, libertando-se de práticas sem resquícios de cooperação, concebidas para alunos dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais.

Poderá acontecer aprendizagem, se forem criados vínculos. Esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética… A aprendizagem é antropofágica. Não aprendemos o que outro diz, aprendemos o outro. Se tentarmos recordar-nos de um professor de quem não gostamos, compreenderemos por que pouco, ou mesmo nada aprendemos na disciplina por ele lecionada.

P.M.- O sistema educativo que defende, baseia-se em projetos ou área de projeto, correto? Explique-nos um pouco essa metodologia de aprendizagem.

J.P. – Nas escolas que acompanho, foram abolidas segmentações e a aula deu lugar à prática da metodologia de trabalho de projeto, logrando garantir a todos o direito à educação consagrado na Constituição.

No edifício da escola, nas praças, nas empresas, nas igrejas, nas bibliotecas públicas e centros culturais, passamos a contemplar um novo modo de desenvolvimento curricular, duas vias complementares de um mesmo projeto: um currículo subjetivo, nem projeto de vida pessoal, a partir de talentos cedo revelados; um currículo de comunidade, baseado em necessidades, desejos da sociedade do entorno.  

P.M. – Uma última questão, Prof., em que consiste o Projeto Âncora, implementado no Brasil e em que sentido se encontra envolvido no mesmo?

J.P. – Acompanho mais de cem projetos no Brasil, mas muitos mais projetos agitam as águas paradas da educação do Sul. O Projeto Âncora é o mais conhecido. Ganhou fama internacional, após as visitas de muitos pesquisadores estrangeiros, que puderam testemunhar, na prática, a excelência académica e a inclusão social. No Projeto Âncora, todos veem garantido o direito à educação. Ajudei a concebê-lo. E nele participei, diretamente, durante três anos. Agora, que ele “já vai pelo seu pé”, afastei-me, para iniciar um novo projeto, em Brasília. Este irá além da Escola da Ponte e do Projeto Âncora.

P.M. – E planos para Portugal? Existem novos projetos?

J.P. – Apesar dos pesares, nunca desisti de Portugal… Acompanho, à distância, alguns promissores projetos. E neles participarei presencialmente no mês de Maio de 2018.

P.M. – O que lhe vai na alma?

J.P. – Sejamos esperançosos. Assisto ao surgimento de projetos geradores de espaços de convivência reflexiva, de que as escolas carecem. Vejo cuidar da pessoa do professor, para que ele se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores e alunos como pessoas.

P.M. -Que mensagem deixaria aos professores e professoras do nosso país?

J.P. – O professor assume dignidade profissional, sendo autónomo-com-os-outros. Porque um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é.

E enquanto o exercício da profissão não se pautar por critérios de natureza pedagógica, enquanto a burocracia prevalecer em detrimento da pedagogia, os professores continuarão a ser considerados os “bodes expiatórios” dos males do sistema. Faltará apenas que os professores sejam, efetivamente, críticos, reflexivos das suas práticas. Que, na relação com qualquer parceiro, se elimine o “período letivo”, o trimestre, o ano letivo… Que, em todo o tempo de aprender prevaleça a prática de uma comunicação horizontal, dialógica, em contraste com a cultura predominante nas escolas, uma cultura assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos.

Muito obrigada Profº José Pacheco. Foi uma honra ter o seu testemunho de vida e de experiência educativa no meu Blog. Até sempre. As maiores felicidades para os seus projetos.

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