A minha obra

Horas do Conto e Palestras Educativas

“Porque um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos das gavetas e, de algum modo, começar.” (Amyr Klink)

“A Vida é arte. Pinta os teus sonhos.” (Spike Tarot)

Ando em itinerância com o meu livro O Prado da Felicidade, pelas Escolas, Bibliotecas Municipais, Feiras do Livro e Eventos Educativos. Lançado a 25 de Maio de 2019, O Prado da Felicidade está indicado para crianças entre os 6 e os 12 anos e, tanto as Horas do Conto, como as Palestras, são sempre ajustadas a cada contexto e público-alvo.

Sinopse do Livro:

A vida é o que fazemos dela e cada uma das pessoas do mundo deve procurar o seu prado feliz. Esta é a história de uma Aldeia Feliz, onde duendes e fadas são guardiões e guardiãs de uma sabedoria ancestral. Visitados/as por gentes das cidades, vilas e aldeias, e sempre vigiados/as pelos antepassados, duendes e fadas deviam cumprir com o que estava escrito no grande e secreto Livro das Virtudes até que um dia…o céu escureceu e a tristeza se abateu sobre o prado. Com muitas interrogações, fadas e duendes refletiam, procurando encontrar as razões para aquele fenómeno e cada vez mais desolados/as iam perdendo a esperança. Mas, algo inesperado então aconteceu…

A “terra do sempre” existe. No coração de cada homem, de cada mulher, de cada criança, de cada idoso, de cada idosa. Só é preciso encontrá-la e conseguirmos ser o melhor que pudermos ser em cada dia da nossa vida. Este é um conto mágico que nos relembra os valores essenciais da vida.

Marcações através do mail: opradodafelicidade@gmail.com

“Quem semeia pensamentos, colhe um hábito, quem semeia hábitos, colhe um caráter, quem semeia um caráter, colhe um destino.” Marion Lawense

“O segredo da felicidade está na liberdade; o segredo da liberdade está na coragem.” (Péricles)

“Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos, os mais acessíveis e sábios conselheiros e os mais pacientes professores.” Charles W. Elliot

O futuro das crianças…é já hoje

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Ora bem, nem todas as crianças nascem com as competências essenciais para uma vida criativa e empreendedora. Os pais e mães devem estimular a capacidade de elas tomarem certos baixos-riscos, de fazerem coisas diferentes, de tomarem iniciativas, de terem a capacidade de tomarem decisões e de serem autónomas. Este é o grande desafio para quem educa.

Há sensivelmente dois dias atrás, o infantário levou a cabo uma iniciativa muito simples: criaram um título de uma história e durante uma semana, a história foi sendo escrita pelos pais e mães, mas eram as crianças a imaginar o decorrer da trama. Algo muito simples e tão importante. Iniciativas como estas, estimulam o pensamento e a criatividade das crianças e é algo que também pode ser feito nas nossas casas. Porque não? Toca a inventar. Vão ver como se vão divertir e como as crianças ficam entusiasmadas por criarem algo. Depois, o nosso papel é o de elogiar pela sua criatividade e talento. 

Por outro lado, como hoje afirmei de manhã, não se esqueçam também do grande benefício da leitura: é um exercício mental, promove o conhecimento, expande o vocabulário, estimula a memória, o pensamento crítico, a concentração, faz maravilhas com a escrita, tranquiliza e se cultivarem o hábito de irem até à biblioteca mais próxima, é grátis.

Outra questão importante é deixar a criança responsabilizar-se pelas suas ideias e ações. Disse algo que não devia ou agiu de forma incorreta, então nós temos de lhes perguntar o que acham daquilo que disseram ou daquilo que fizeram. Vão ver como as crianças vão tomar consciência das suas atitudes. E, sobretudo, como vão aprender com os erros.

Importante também é a questão de pensarem por elas próprias, de pensarem em opções e alternativas, de não serem influenciáveis, de serem capazes de ultrapassar obstáculos e de serem capazes de resolver os seus problemas. É como se costuma dizer, “meio caminho andado” para o empreendorismo.

Lembrem-se então que a brincar, a brincar, levamos a educação a bom porto.

“Talvez os poetas tenham razão. Talvez o Amor seja a única resposta.” (Woody Allen)

De que precisam os nossos filhos? De mães e pais INSPIRADORES

Começo este post com uma afirmação: os nossos filhos e filhas não precisam de pais e mães extraordinários, precisam de seres humanos, precisam tanto de amor e de carinho, como de regras e de orientação, precisam de muita VERDADE e transparência para que nos vejam como uma fonte inspiração para a vida deles.

Esta foi mais uma grande reflexão que me proporcionou a minha 2ª sessão de Coaching (Educar-me a Educar) com a Fernanda Ferreira, um ser humano fantástico que partilha connosco questões e vivências que não nos são inteiramente desconhecidas, nem tão pouco nos são indiferentes, pois já passámos por elas ao longo das cruzadas das nossas vidas. Têm sido momentos bem agradáveis de partilha e de crescimento pessoal. Uma “luz” que nos acalma e revigora. Obrigada Fernanda.

Mas, voltando à questão da relação que temos com os nossos filhos e filhas, saibam que existe uma grande dependência pois os/as filhos/as  precisam de aprender experiências com os seus pais e mães e isso vai sendo feito através do registo diário, na memória, de milhares de estímulos externos (visuais, auditivos e táteis) e internos (pensamentos e emoções). Podemos dizer que estamos perante o registo automático da memória (RAM), o qual é involuntário: tudo é absorvido pelos/as nossos/as filhos/as (imagens, pensamentos e emoções – negativos ou saudáveis). Isto significa que eles e elas retêm não apenas tudo o que lhes dizemos, como também as nossas atitudes para com eles/elas e se estas forem péssimas, vai-se criando um fosso emocional (pouco afeto e muitas críticas). E não, não dá para fazer DELETE, não se pode apagar nada, apenas se pode reeditar, através de novas experiências sobre as experiências antigas. Depois, se uma experiência é acompanhada de um elevado grau emocional (amor/ódio; alegria/angústia), a mesma vai provocar um registo de forte intensidade: bom ou mau.

Temos de cruzar a nossa história com a dos/as nossos/as filhos/as e fazer, do pouco tempo disponível, grandes momentos de convívio com eles/elas. Devemos abrir-lhes o nosso coração e então terão prazer em estar connosco: a solução é sempre o amor, para que nos vejam como mestres de vida.

Libertemos a criança que existe em nós, libertemos a nossa jovialidade, mesmo que os cabelos já tenham embranquecido.

Abracem, sorriam, chorem, pois é bem mais importante a autenticidade do amor do que deixar-lhes fortunas.

“O que fazes, dizes tão alto que não te ouço” – Ralph Emerson

Sejam então mães e pais felizes e INSPIRADORES!

“Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para se arriscar e humilde o bastante para aprender.” (Clarice Lispector)

“Se estivermos atentos, podemos ser pequenos heróis todos os dias.” (o Livro do Ano)

“…nunca me lembro de ter saído de casa sem um livro, e somos tão felizes aos nove anos quando lemos os livros certos…será que as crianças hoje ainda lêem os livros certos?”. Alice Vieira

“Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível.”(Arthur Schopenhauer)

Terra do Nunca ou Terra do Sempre?

Numa entrevista recente sobre o meu conto infanto-juvenil, O Prado da Felicidade, perguntaram-me sobre a razão da expressão “Terra do Sempre”, em detrimento da tão conhecida “Terra do Nunca”, ao que respondi que sempre existe uma oportunidade diária para refletirmos, melhorarmos atitudes, comportamentos, para “crescermos” um pouco mais, para sairmos da zona de conforto, para “agarrarmos” a vida como uma grande oportunidade de melhoria contínua. Como sabem, a famosa “Terra do Nunca” é uma metáfora que nos remete para o comportamento eternamente infantil,  para a imortalidade e para o escapismo ou evasão, a distração mental de um mundo melhor, sem obrigações ou realidades desagradáveis, recorrendo a devaneios e imaginações. Ora, não se trata aqui de ignorar ou de rejeitar a nossa “crianças interior”, muito longe disso, trata-se de fazê-la tomar consciência da sua responsabilidade enquanto futura cidadã, enquanto membro de uma comunidade, enquanto “construtora” de um mundo que tem de ser bem melhor, sendo ética, autêntica e criativa. Tal como referiu Bernard Shaw: “O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” O mundo precisa de crianças crescidas e menos crescidas, mas empenhadas em dar o melhor delas e este melhor constrói-se em cada dia. Todas as pessoas têm obrigações, um papel social e é normal o confronto com obstáculos, bem como desenvolver a resiliência necessária para os ultrapassar. No fundo, o importante é iluminar alguma coisa, num mundo cada vez mais obscuro. O mundo precisa do melhor de nós para que consiga tornar-se nO Prado da Felicidade.

“O mundo depois de nós tem que ser melhor do que o nosso, porque caminhámos sobre ele. Se não pudermos ser um sol esplendoroso, contentemo-nos em ser um simples pirilampo. O importante é iluminar alguma coisa.” Roque Schneiden

E os bons alunos são…

“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”-Leonardo da Vinci

Pois é. Para terem bons resultados tudo se resume a uma palavra, ou melhor a duas: EMPENHO e ORGANIZAÇÃO.Aqui ficam pequenas dicas para alunos/alunas e claro, para mães e pais, se os/as quiserem orientar/aconselhar (pois cada vez mais NÓS temos de acompanhar e de estar presentes). Eis as dicas: 

1ª Estar atento/a nas aulas, questionar se tiverem dúvidas e tomar notas de esclarecimento;

2ª Fazer os TPC no próprio dia ou logo que possível para não acumularem tarefas;

3ª Fazer muitos exercícios, sobretudo nas disciplinas em que tal se exige (Matemática, Física-Química). Hoje, como sabem, os manuais escolares incluem cadernos de atividades e não é de descurar fazerem os exercícios que lá estão, mesmo que os professores não peçam para os fazer;

4ª Rever as matérias que foram dadas diáriamente para que o estudo seja continuado;

5ª Programar antecipadamente o tempo de estudo para cada disciplina tendo em conta as datas dos testes/exames. BOA SORTE!

As bulas terapêuticas dos livros…

Está em voga o conceito da Biblioterapia (já aqui falado antes), dado que são vários os estudos científicos que comprovam que ler faz bem à saúde. Deste modo, existem livros para todos os males, só se tem de encontrar aquele ou aqueles que se adequam aos sintomas identificados por nós.

Mas, não pensemos que a Biblioterapia é um conceito novo. Não, não é. A Biblioterapia remonta às civilizações grega, egípcia e romana, em que as pessoas recorriam muito à leitura da Bíblia e do Corão como processo de cura nos hospitais. Mais tarde, também no decorrer da I e II Guerra Mundial, foram criadas bibliotecas nos hospitais de campanha. Contudo, foi no início do século XX que a Biblioterapia foi reconhecida como uma nova ciência.

A Biblioterapia é pois, “o tratamento de doenças através da leitura de livros.”

Ora bem, tendo recentemente lançado o meu livro O Prado da Felicidade, e na medida em que o mesmo está a ser trabalhado junto das escolas, qual é a sua bula terapêutica? Aqui fica:

Indicado para combater:

Défice de espírito crítico e de criatividade

Acessos de agressividade

Défice de raciocínio ético e moral

Desvalorização das pequenas coisas como processo para a felicidade

Desrespeito pela natureza e por todos os seres vivos

O medo de errar (essencial para o processo de aprendizagem ao longo da vida)

Efeitos Secundários:

Incremento da coragem

Acréscimo de inspiração e de criatividade

Estímulo da curiosidade e da imaginação

Reflexão

Autoconhecimento

Amadurecimento emocional e acréscimo de confiança

Diálogo

Respeito

Assertividade

Entusiasmo pela leitura e aquisição do vício de ler

Posologia:

Não havendo risco de sobredosagem, ler a qualquer altura do dia e ao longo da vida, as vezes que forem necessárias 😉

BOAS LEITURAS! Ah, e o Prado da Felicidade agradece a todas as pessoas que quiserem tê-lo na biblioteca lá de casa ou que possam indicá-lo nas escolas, infantários, municípios ou bibliotecas municipais! O Prado da Felicidade continuará a andar em itinerância e por isso contamos com o vosso apoio! Até já!

A dialética no ensino…

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O que é, afinal de contas, a dialética? A dialética remonta aos tempos antigos da filosofia. É um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias e que, por isso, significa “caminho entre as ideias”. Envolve a argumentação e relaciona-se com a arte da palavra. A dialética procura refletir sobre a realidade e é sinónimo de sabedoria.

Ora, e o que é que a dialética tem a ver com o ensino? Tudo. A escola deve ser uma alavanca social e reconhecer que deve estimular o raciocínio e o espírito crítico dos seus alunos e alunas. Mais do que as matérias técnicas (matemática, inglês, português ou história), a escola deve trabalhar o desenvolvimento humano. e para isso é necessário recorrer-se à pedagogia e à orientação. Claro que as famílias não se podem demitir de dar uma  boa educação em casa, a nível de valores, bem como de permitir uma boa estimulação intelectual mas, a escola deve tentar formar bons seres humanos também. Nem a família deve remeter a total responsabilidade para a escola nem esta deve responsabilizar apenas a família. Ambas as partes se devem complementar neste processo.

Chegamos a dois grandes problemas. O primeiro prende-se com a existência de uma classe de professores descontentes e saturados e que, não têm a preparação universitária suficiente, específica e necessária para lidar com os casos mais desafiantes. O segundo grande problema relaciona-se com uma rede de psicólogos insuficiente a atuar nas nossas escolas e com falta de estratégias a aplicar em conjunto com os professores. 

O nosso estilo de ensino coloca a obrigação da matéria que tem de ser dada a um ritmo alucinante em primeiro lugar e despreza a reflexão sobre um método que valorize as reais capacidades individuais de cada aluno ou aluna e que estimule a sua  autonomia de pensamento. O ato de ensinar é, acima de tudo, um ato comunicação, de passar a mensagem e de torná-la perceptível. É um processo de linguagem verbal e não verbal, orientado pelo professor ou professora e com o contributo dos alunos e alunas.. Ora o/a estudante tem de sentir que faz parte daquele processo e que tem de dar de si também. Se o método de ensinar não resulta, então é porque há algo nessa base que está a falhar. Para se desenvolver, o ser humano tem de analisar e refletir, para que entenda o mundo que o/a rodeia  Ora, na correria do cumprimento dos programas, não há atenção às capacidades individuais nem às dificuldades específicas de cada aluno ou aluna. 

Terá de existir maior dialéctica entre alunos/alunas e professores/professoras, em que estes assumam uma posição de orientadores/as e uma atenção mais individualizada às atividades e especificidades dos seus alunos e alunas.

O sistema de ensino atual tem de mudar. Está desfasado e desajustado. É ineficaz.

ESCUTA o teu coração. ESCUTA o coração do mundo.

“ESCUTA o teu Coração.ESCUTA o coração do mundo. ESCUTA o coração de Deus.”Esta é a mensagem do Colégio do Amor de Deus, onde hoje estive numa Sessão de Apresentação e Hora do Conto do meu livro O Prado da Felicidade. Mas, é logo na receção que se entende qual é o espírito e a missão da Instituição: “Educar é a nossa forma de amar”. Um Colégio privado, o primeiro, a abrir-me as suas portas e a proporcionar-me uma plateia imensa de crianças e de educadoras que, atentas à mensagem do livro, me comprovaram em como “investem” verdadeiramente, quer no saber, quer nos valores e na felicidade das suas crianças, jovens e pessoal afeto à Instituição.

Em conversa, soube que o Colégio data de 1950 e que integra desde o ensino pré-escolar ao secundário, dispondo de mais de um milhar de alunos e de alunas. Jerónimo Mariano Usera y Alarcón, o fundador da Congregação das Irmãs do Amor de Deus, nasceu em Madrid, a 15 de Setembro de 1810, e faleceu a 17 de Maio de 1891. Esta é uma congregação que se dedica à Educação, baseada no amor, em prol do bem da sociedade. 

O Projeto Educativo da Escola considera importante que o aluno viva o risco de abrir o seu caminho pessoalmente, com esforço e trabalho próprios. Para isso, promovem o pensamento, o raciocínio, o autoconhecimento, o exercício e o aperfeiçoamento das suas competências. Impulsionam a capacidade de expressar, criar e concretizar as próprias ideias. Querem fazer da Escola um lugar de humanização e de liberdade e por isso, baseiam-se no diálogo, na espontaneidade, na criatividade, no juízo crítico e na vivência correta em grupo.

A Escola oferece ainda a oportunidade de exprimirem as próprias opiniões: culturais, profissionais, vocacionais, religiosas, etc, sem temores, receios ou inseguranças. Houve então uma perfeita sintonia e identificação de valores entre o livro e o Colégio, o que por si só foi tão proveitoso e motivador, quer para mim, quer para quem me ouviu. O Prado da Felicidade voltou a sorrir…e eu também.

“Consideramos que os comportamentos positivos de pessoas concretas e o testemunho pessoal são um estímulo educativo imprescindível e, como acreditamos que na nossa Escola o “principal livro deve ser o mestre”, desejamos que cada educador ofereça uma conduta moral e uma atuação profissional de qualidade. Mantemos, pelo seu valor e por imperativo do Carisma das Irmãs do Amor de Deus, o princípio de que só pode aprender corretamente a criança que se sentir amada. Daí que educar é fazer-se próximo, estabelecendo assim uma corrente de afeto e de compreensão educativa que facilite a aprendizagem e o crescimento integral na Verdade e no Bem. Queremos ensinar com clareza e paciência. Para isso, cultivamos as capacidades e a adaptação, além da humildade e dos gestos próprios de uma vocação especificamente educativa. A compreensão de conteúdos e a aquisição de competências hão-de ser resultantes do trabalho conjunto, do bom método do professor e da colaboração, do esforço e da atenção do aluno e do Encarregado de Educação.” Colégio do Amor de Deus

Como criar bons leitores em casa?

Ninguém nasce leitor. Tornamo-nos leitores e leitoras. A busca de conhecimento através da leitura deve ser uma prioridade e devemos incentivá-la desde a infância, começando por ler histórias às crianças. Este é o primeiro passo para se criar bons leitores. Muito importante é também o exemplo que se vive em casa: que os filhos ou filhas vejam os pais, as mães e irmãos com hábitos de leitura, para que também eles/elas adquiram o gosto pela leitura.

Dos 0 aos 3 anos, a leitura deve ser uma rotina diária de, pelo menos 15 minutos, antes de ir para a cama. Além disso, ler para os nossos filhos e filhas, é uma excelente maneira de nos aproximarmos mais deles/delas, de conhecermos melhor o seu mundo, criando um espaço de diálogo saudável. Por isso, a leitura deve ser uma parte quotidiana e natural da vida familiar, existindo várias ações que podem ajudar os pais a criar e a incentivar o hábito da leitura nos seus filhos e filhas:
 
– Ler em voz alta, em qualquer idade;
 
– Dedicar 15 minutos do dia à leitura;

– Escolher um bom momento para ler, num lugar confortável e sem distrações;
 
– Ler livros, em conjunto, que todos gostem;
 
– Respeitar as escolhas dos filhos ou filhas;
 
– Ler como diversão e brincadeira, para que queiram repetir a experiência;
 
– Reler o mesmo livro, quantas vezes a criança pedir;
 
– Falar com ele ou ela sobre o que lêem, permitir que expressem seus gostos e opiniões;
 
– Narrar contos de fadas, factos da vida diária, da família;
 
– Descrever as imagens dos livros e falar sobre elas;

– Organizar uma pequena biblioteca familiar, com a ajuda dos filhos ou das filhas;

 – Ler em casa aquilo de que você gosta, pois seu filho ou filha seguirão o  seu exemplo;

– Visitar bibliotecas com os filhos e filhas;
 
– Visitar livrarias com as crianças e permitir que comprem livros escolhidos por elas;
 
– Dar livros de presente e incentivar os filhos a fazerem o mesmo com seus amigos;
 
– Levar livros para as consultas médicas, viagens longas etc.
 
– Ler com os filhos e filhas também receitas, manuais de instruções, notícias da imprensa etc.

A leitura é um componente indispensável no processo de desenvolvimento intelectual, pois tem o poder de nos tornar críticos, reflexivos e criativos. Contudo, para que tenha efeito, precisa ser um processo contínuo pois a leitura é o melhor caminho para expandir tanto o autoconhecimento, como o conhecimento do mundo.

Quem não lê, não alcança um bom desenvolvimento cognitivo, vive preso a um mundo restrito e repleto de alienação. A leitura tem o poder de conceder autonomia ao leitor, de libertá-lo.

 Então…boas leituras.

“A leitura é uma arte, mas nem toda a gente é artista.” Madeleine Chapsal (Escritora e Pintora

Como lhe surgiu a inspiração para escrever?

Hoje, tive mais uma Hora do Conto, mas desta vez, estive com um público já na idade das leituras. E foi bom, muito bom. Foi bom, sobretudo porque fui muito interrogada e porque, desta forma, sei que as “sementinhas” ficaram a germinar nas mentes e nos corações. Foi bom, porque também me lembraram que ser feliz é sentir boas emoções, que a leitura faz com que se façam boas composições e que a inspiração faz magia.

“Como é que teve inspiração para escrever a história?” – perguntou-me um menino. Expliquei-lhe que foram as minhas experiências de trabalho e as minhas experiências como mãe e que a inspiração chegou de mansinho e de forma espontânea, impulsionando-me a escrever naquele mesmo momento. “Por isso, foi um momento mágico e esta é uma magia que acabou por criar um livro, uma história. Esta é uma magia que se pode ver” – disse-lhe. 

Nestas iniciativas, também é notória a falta de entusiasmo e de curiosidade nas crianças – poucas, felizmente – que não vivem em ambiente de leitura familiar, o que por si só, me dá maior alento para continuar a propagar o aspeto crucial, valioso e diferenciador da leitura no desenvolvimento da personalidade de cada ser humano. Potenciar o investimento na leitura, deveria ser um dado adquirido em todos os agregados familiares.

O Prado da Felicidade tem, por conseguinte, uma missão exigente, muito exigente pela frente. Termino, deixando ficar duas citações, uma de Robert Fogel e outra de Bertrand Russell:

 ” A crise moral é o traço definidor da nossa época e a maior ameaça à sobrevivência da nossa sociedade.” Robert Fogel

“…se a sabedoria não avançar na medida do conhecimento, ao avanço do saber corresponderá o avanço do pesar.” Bertrand Russell

O Prado da Felicidade…um livro de valores

“São maus descobridores os que pensam que não existe terra porque só podem ver o mar.” Francis Bacon. Esta frase remete-me para um pensamento: a rejeição da mudança de atitudes, a descrença nas vantagens da melhoria de comportamentos. As pessoas persistem em se manter na zona de conforto porque têm medo do desconhecido, permanecem na crença de que “não existe terra porque só podem ver o mar”. Onde ficam os seus horizontes, os sonhos, a imaginação, a criatividade e o seu desenvolvimento pessoal? Falo aqui de adultos mas são esses mesmos adultos que também educam crianças e que lhes servem de modelo/referência e aqui o problema assume uma maior dimensão. É precisamente aqui que a leitura traz um enorme benefício através do seu efeito terapêutico. 

O meu livro O Prado da Felicidade surge como um livro de reflexão, um livro que alerta para a importância dos valores na educação das crianças e na orientação diária de adultos. Este é, portanto, um livro para “miúdos e graúdos”. Um livro que trabalha valores como a humildade, a entreajuda, a honestidade, o autodomínio, a responsabilidade, a resolução de problemas, a comunicação, a genuinidade e o respeito pela natureza. Um livro que nos fala de esperança e de felicidade.

Sabemos que as crianças estão expostas a colegas, a contextos, a programas de televisão que as podem confundir entre o que é certo e o que é errado – fazem com que o certo pareça errado e que o errado pareça certo – o que, como facilmente se compreende, poderá levá-las a valores distorcidos. Ora, se em casa, a família não tiver um papel observador e interventivo, essas crianças entrarão na adolescência pensando que o “ser popular” significa aderir a um padrão errado e aí os problemas serão já difíceis de sanar.

Alerto mais uma vez os pais e as mães para a necessidade de terem um papel verdadeiramente educativo e para apostarem tudo na melhoria das atitudes dos vossos filhos e das vossas filhas. As férias já chegaram e terão mais tempo para efetivarem as mudanças necessárias. Apostem muito na leitura e incentivem também as vossas crianças à leitura, nomeadamente de livros que possam transmitir valores.

O Prado da Felicidade foi a minha aposta de intervenção na sociedade e o livro poderá estar nas vossas casas com a maior das facilidades. Acompanhem também os eventos que vou anunciando pois vou estando em vários locais para sessões de apresentação e Horas do Conto.

Gostariam que fosse ao vosso agrupamento de escolas, ao infantário, à Biblioteca Municipal do vosso Concelho? Passem a palavra e lá estarei 😉

Invistam no melhor para as vossas crianças. Ofereçam valores.

Quanto tempo dura um eterno?

“A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível”, diz o chapeleiro no filme Alice no País das Maravilhas. Como adoro esta frase. Adoro porque fala de resiliência, fala de não desistirmos, fala de luta, de perseverança, de muita vontade, de acreditarmos que podemos tornar o impossível em possível, fala de auto-confiança, de energia positiva e de muita força interior. E, em pequenos passos, vamos “semeando”, a mudança vai acontecendo e nesse processo lento de mudança que ocorre em segundos, são estes mesmos segundos que ficam eternos na nossa memória e na memória de quem “tocamos” e que nos dão pistas de que é esse o nosso caminho, que nele devemos continuar, apesar de todos os obstáculos que vão surgindo para nos desafiar. Passo a passo, o caminho faz-se caminhando e acreditando. Passo a passo, vão ficando na memória os abraços, os beijinhos das crianças, as respostas genuinas que me dão, as expressões das suas caritas, os olhares curiosos e depois o que quase nos arranca uma lágrima: “Sílvia, gosto de ti”, “Sílvia, és muito bonita” ou “Sílvia, posso dar-te um beijinho?”. Pergunto-lhes ainda, no final da história, se querem que continue a escrever, ao que respondem: “siiiimmm”. Que melhores pistas posso querer? Das crianças, já tenho tudo quanto baste. É nelas que habita o Prado da Felicidade, só precisamos de lhes lembrar e de lhes dizer que vale a pena ser feliz. 

Ser formadora de adultos tem sido exigente mas entusiasmante, assim como o é ser agora escritora de contos infanto-juvenis. Quase a atingir mais de meio século de vida, tenho comigo a certeza de que este continuará a ser o meu trilho, o meu desafio, a minha marca e missão de vida. Muito obrigada a todas as pessoas que me têm apoiado nestes dois processos distintos, mas interligados. Não existem crianças felizes sem adultos felizes, não existem adultos felizes sem crianças felizes. 

O que cabe num livro?

O que cabe num livro? Letras, palavras, frases, parágrafos e páginas que nos inspiram, dão orientação, que nos obrigam a refletir, que nos entusiasmam, que nos esclarecem, que nos emocionam, que nos fazem esboçar um sorriso ou rir à gargalhada, que nos despertam, que nos “transportam” para muitos lugares, que nos esclarecem sobre…nós, os outros e a vida.

Um livro é um “jogo” de letras, uma “dança” de palavras e uma “melodia” de frases. São páginas de vidas de personagens que muitas vezes somos nós mesmos/as, são histórias de vidas por vezes reais, são sentimentos escritos, são o bem e o mal, são episódios tristes ou felizes, mas sempre sábios. Cabe tanto num livro…

Lê devagar e decifra…

18-04-2019 17:35

Já tinha ouvido falar da Lx Factory mas não tinha noção do que iria encontrar. Na senda dos meus agendamentos para a apresentação do meu conto infanto-juvenil “O Prado da Felicidade”, lá me pus ontem a caminho de Lisboa pois tinha reunião na Livraria Ler Devagar. Após ter conseguido levar a bom porto a aventura de conseguir estacionar a uns bons metros de distância, passei pelo Museu da Carris e um pouco à frente, visualizei um pequeno túnel, uma passagem por debaixo de habitações vintage e olhando, verifiquei que existia alguma movimentação para lá daquela arcada e a minha intuição fez-me entrar por ali. Mas, nada melhor que abordar um jovem que se encaminhava para uma lambreta e perguntar-lhe pela Lx Factory. Sim, é aqui, são estas duas ruas – disse ele. 

Avançando por uma das ruas e logo no início, verifiquei que estava num local sui generis, um local muito vintage, com uma série de edifícios que se adivinhava terem sido meros armazéns envelhecidos e que agora são alvo de muitas selfies e fotos por quem por ali circula. Estava a chover mas, aqui e ali, iam circulando pessoas – na sua grande maioria estrangeiros. E fui andando e fazendo um reconhecimento pela zona, apercebendo-me de imensas lojas, cafés e restaurantes. A inspiração paira no ar, sente-se. Sente-se na decoração dos espaços, na forma como alguns até se partilham, sendo contíguos uns aos outros, sente-se na forma como se está à conversa nos cafés, como se estuda, se convive em várias línguas e em modo verdadeiramente slow living. Um mundo slow numa Lisboa frenética. Como adoro descobrir estes mundos paralelos! E, como há tanto sempre por descobrir…

Feito o reconhecimento e após a descoberta da Livraria Ler Devagar, decidi conhecê-la por dentro. Aberta a porta de vidro, julgo que o meu olhar falou mais alto, fiquei estupefacta, dada a imensidão literária ali presente: à nossa frente, à nossa volta, por cima de nós, existem…livros, livros, livros, livros! Ok, e agora?! Por onde começar? Busquei pela razão, acalmei a emoção e perguntei como é que a Livraria se encontrava organizada. Literatura estrangeira, portuguesa e poesia, nos rés-do-chão e livros técnicos no 1º andar. Ok, segue. Passei ali umas boas 3 horas, comprei 3 livros, li um pouco na cafetaria, registei as dezenas de pessoas que ali entravam e saiam de câmara na mão e finalizei com a visita à exposição presente na galeria no 1º andar. Um desafio à nossa capacidade de decifrar mensagens curiosas, inspiradoras e de profundo sentido social e cultural. Aqui fica uma delas (presente na penúltima foto acima): “sem poesia e cultura, o povo poderá ir à loucura.” De facto, em absoluto. O que somos nós, senão páginas em branco, à espera de experiências e de palavras que nos façam sentido?

A cultura é um puzzle que se vai montando lentamente durante a vida toda. 

As crianças, o raciocínio ético e moral…

02-04-2019 22:56

Se queremos reverter a tendência crescente de ausência de valores nas crianças e jovens, há que equacionar o desenvolvimento de um raciocínio ético no pré-escolar, bem como no 1º e 2º ciclos. E como? Ora, hoje, 02 de Abril/19, comemorou-se o Dia Internacional do Livro Infantil e aqui afirmo dizendo que o papel da literatura é fundamental na formação integral das pessoas. Para coexistirmos dignamente em sociedade, devemos cumprir com as ordens e valores vigentes, devemos agir em consciência do que é o bem e o mal e socializarmo-nos de forma ética e moral. E nisto, tem enorme relevância a questão da leitura, quer na construção da individualidade, quer na construção da cidadania.

O uso da literatura para crianças deve ser efetuado combinando a sua utilização como documento formativo e como objeto lúdico; não pode, nem deve, ser realizado com intuito meramente lúdico, nem somente formativo ou para ensinar a ler e a escrever. Desta forma, irá motivar o raciocínio ético, ensinar a pensar e a agir. Os livros modelam as crianças de hoje e os adultos de amanhã. Formam seres pensantes independentes, capazes de resolver conflitos autonomamente, capazes de reagir moralmente da melhor maneira.O contacto com obras e textos literários oferece às crianças a possibilidade de tomarem cosnciência de questões do quotidiano, dos direitos humanos, sociais e políticos, mas é necessário que os/as docentes trabalhem bem os respetivos textos.

A leitura é um meio para o desenvolvimento do ser humano. Os livros atuam sobre as crianças, quer pela sua presença, quer pela sua ausência.E, já agora, os pais e as mães deverão estar também conscientes de que selecionar e oferecer livros às crianças, é contribuir para a sua boa formação.

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Quando é que na Escola se começa a transformar os conteúdos em sabedoria sintética, simples e útil? Quando é que na Escola possibilitam aos alunos e alunas, ganharem voz sobre dúvidas e questões? Se não se conseguem fazer ouvir, como vão aprender a escutar? Quando é que na Escola se transforma as aulas penosas e sofridas, em momentos de prazer pela aquisição do conhecimento, de sabedoria? Quando é que se vai refrear definitivamente o bullying no espaço escolar? Quando é que os pais e as mães se consciencializam do seu papel de motivadores e de conselheiros no trajeto de melhoria de resultados dos seus filhos e filhas? Quando é que estes encarregados/das de educação analisam os Testes de Avaliação dos seus filhos e filhas, tentando compreender com eles as causas que estiveram na origem dos maus resultados? Se foram dificuldades de entendimento, se foi por falta de estudo ou se foi por falta de concentração? Tal como os adultos, também as crianças devem saber que os erros só servem para que aprendamos algo com eles e que só assim os conseguimos resolver definitivamente. Quando é que professores e professoras começam a partilhar boas práticas para uma aprendizagem feliz e eficaz? Existem, sim, casos de sucesso, de real envolvimento, de respeito entre professores, professoras e alunos/as, dentro das quatro paredes das salas de aulas. Existem, sim, casos de verdadeira aprendizagem e de gosto, de vocação pelo ensino e de gosto pela aprendizagem. No entanto, são raros.

A Escola é a instituição habilitada por excelência, para a transmissão de conhecimentos e para construção de saberes, proporcionando aos/às educandos/as um aprimoramento das capacidades humanas , dentro de uma perspetiva globalizante.  A Escola tem como tarefa, formar e informar indivíduos, explorando e estimulando a sua capacidade cognitiva, desenvolvendo uma consciência voltada para o exercício pleno da cidadania e para o respeito de valores. 

“Podem as crianças amar a Escola se ela, de forma clara, não faz com que se sintam amadas?” Eduardo Sá

“Se uma criança não pode aprender da maneira como é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender.” Marion Welchmann

As crianças e jovens precisam de pais e mães mais intervenientes, mais observadores, mais presentes, mais interessados, de uma melhor comunidade educativa e de uma melhor comunidade escolar. O valor da Escola é indiscutível na formação da individualidade de cada pessoa, bem como nos seus percursos pessoais e académicos.

“A Escola com a qual sonhamos deve assegurar a todos a formação que ajude o aluno a transformar-se em sujeito pensante, capaz de utilizar seu potencial na construção de conceitos, habilidades e  de valores”. Libâneo (1998)

Conflitos em contexto escolar…como reverter?

15-01-2019 23:03

Vai levar tempo a sanar uma problemática que tende a acentuar-se cada vez mais. Se, quando vamos buscar os nossos filhos e filhas à escola, nos colocarmos a observar por 5 a 10 mn as crianças e jovens, é comum ouvirmos e/ou vermos qualquer coisa que nos desagrada. Vê-se a olho nu e para bom entendedor ou boa entendedora, meia palavra basta. E, mais grave ainda, se assim o é fora das quatro paredes da sala, também o é nas próprias salas de aula. Muito se tem debatido, muito se debate ainda e vai-se continuar a debater sobre estratégias de atuação mas parece-me, no entanto, que existe aqui um problema de fundo: se uma criança ou jovem tem um comportamento disruptivo não se pode desresponsabilizá-la/o, como também não se pode desresponsabilizar os pais, as mães, os professores e professoras. Existe um trabalho de conjunto que DEVE ser feito.

É mania corrente que se atirem culpas a uns e a outros quando, a responsabilidade por uma má conduta é, em primeira instância da criança e do jovem, que tem CONSCIÊNCIA do que fez. Só pelos simples facto de não gostar da escola, de uma disciplina ou de não lhe interessar aprender, não lhe dá o direito de desrespeitar quem quer que seja (colegas que querem aprender e que se destabilizam e o professor ou professora que está a tentar passar o conhecimento). A falta de interesse não serve de DESCULPA para atitudes que refletem a falta de valores e a ausência de regras de boa educação.

Na minha opinião, talvez a COMUNICAÇÃO ajudasse. Começando por se abordar em tempo oportuno a criança ou jovem que manifestou a tal conduta e perguntar-lhe  – responsabilizando-o – sobre a razão que a/o levou à atitude disruptiva. Foi só porque sim ou é algo mais problemático que se venha a detetar (falta de estrutura familiar ou tecido social frágil)? Caberá ao professor ou professora, juntamente com a direção de turma descobri-lo. Depois disto e no máximo no dia seguinte, registar o acontecimento por escrito e convocar os encarregados de educação para exposição da situação e a identificação de soluções em conjunto. Depois, e em último lugar, o professor ou professora lesado/a, proceder a uma auto-reflexão  sobre o assunto e verificar a sua capacidade de dar a volta à questão, mudando de práticas pedagógicas, e aqui sugeriria a troca de experiências com outros colegas professores que tenham tido situações idênticas. Da partilha se aprende e muito. Somos mestres uns dos outros.

Resumindo, que não se desresponsabilize nem a criança ou jovem, nem os pais e as mães que muitas das vezes se demitem do papel de reguladores dos comportamentos dos filhos e filhas e que, de uma forma indireta, acabam por validar este tipo de comportamentos disruptivos, menosprezando a sua relevância. Por último, tão pouco se deve desresponsabilizar os/as docentes que testemunharam a situação e que devem ter uma intervenção ativa quanto ao encontrar de soluções de continuidade, para que não fique comprometida a aprendizagem de toda uma turma.

Todos têm uma imensa responsabilidade social.

Que cidadãos e cidadãs queremos ser e ter? Que bom seria que a foto acima não fosse uma utopia.

O destino começa em casa…

06-11-2018 13:49

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Para onde fugiram as regras básicas da boa educação, das boas maneiras? Não, não se trata de um conceito antiquado, fora de moda. É intemporal. São ferramentas essenciais para uma vida adulta de sucesso pessoal e profissional, independentemenete da atividade que se exerça. Estamos no século XXI mas regredimos bastante no campo da educação, das regras básicas da boa convivência. São crescentes os casos de crianças e jovens que desobedecem, que desrespeitam, que apresentam atitudes lamentáveis e de violência. Que adultos vão ser? E que profissionais?

Os jovens interagem hoje em dia com mais pessoas e em mais lugares do que nunca. Por isso, a sua visibilidade é cada vez maior e são, por isso, cada vez mais observados, pelos melhores ou piores motivos.Todas essas oportunidades de criar amizades, causar uma boa impressão e tirar partido de situações únicas podem ser deitadas a perder se eles não aprenderem o básico sobre uma boa conduta e um comportamento respeitador. Tão simples quanto isto. Estão a construir ou a destruir a sua “marca pessoal”.

E onde estão os encarregados de educação? E quem são? Qual o exemplo que deixam diariamente junto dos filhos e filhas? Que cuidados têm na sua educação? Que acompanhamento fazem do percurso de vida, das escolhas, do aproveitamento escolar e das dificuldades dos filhos e filhas? Muitos, muitas demitiram-se já, desse papel. Educar dá trabalho, requer esforço, tempo pessoal, sacrifício e muito sinceramente são cada vez menos os casos que conheço e que me demonstram o contrário. Depois, vem, claro, o insucesso escolar, o abandono precoce da escola e a aprendizagem torna-se num alvo a abater, numa autêntica chatice. Sabemos que a exigência escolar está ainda longe de ser simplificada, pelo que terão de ser os pais e mães a apoiarem o estudo em casa (sim, estou a falar dos que têm bases para o efeito e são ainda muitos) ou a motivarem os filhos e filhas para a grande importância de concluirem, pelo menos, o secundário, para a importância do saber e da aprendizagem ao longo da vida.

O destino dos vossos filhos e filhas começa em casa. Fica a reflexão. Fica a provocação.

 

A Escola…place of light and learning

09-09-2018 11:05

À porta de mais um ano letivo, debatem-se as mesmas questões. Como incrementar o aproveitamento escolar, como esbater as retenções, como estimular o gosto pela aprendizagem, pela aquisição do conhecimento junto dos alunos e alunas. As mesmas questões e os mesmos contributos de muitos/muitas que apontam sistemáticamente possíveis soluções. Já estivemos mais longe, é certo, contudo, será um processo moroso, tal a sua complexidade mas obrigatório, prioritário, inadiável, urgente. Tendo como ponto de partida as experiências das escolas-modelo portuguesas que têm experimentado novas metodologias de aprendizagem, multipliquemos rapidamente esses casos de sucesso às restantes escolas nacionais. Não há mais tempo a perder.

Ontem li uma frase do considerado “pai” da gestão, Peter Drucker: dizia ele que será a pessoa instruida que representará a sociedade moderna. Refere ele que na sociedade medieval, a figura central era a do cavaleiro medieval e que na sociedade capitalista, tínhamos o burguês. Séculos passados, será agora a pessoa detentora de conhecimento que personalizará a sociedade.

Neste sentido, a aquisição de conhecimento deverá tornar-se atrativa para crianças, jovens e adultos e é nesse sentido que, enquanto Formadora, consigo contextualizar tudo isto. Como transformar atitudes, comportamentos na idade adulta com o devido sucesso? Apenas, se as pessoas QUISEREM mudar. É, portanto, na infância, que devemos trabalhar na transformação e aqui, tal como li há dois dias na Visão, é necessário ensinar as crianças a trabalharem em equipa e a serem assertivas, temas imprescindíveis para o seu desenvolvimento pessoal e social. Só assim, se tornarão bem formados/as, tendo duas das aptidões mais relevantes para a sua afirmação pessoal e sucesso profissional. Não ignoremos também os problemas de mau comportamento nas escolas e até mesmo entre crianças e jovens e não ignoremos também as questões de stress escolar. A aprendizagem não deverá mais ser como que uma punição, deverá ser amada junto de crianças e jovens, deverá ser valorizada, apreciada, motivadora, uma “alavanca” para a felicidade pessoal e profissional.

Portugal ou qualquer outro país serão sempre o reflexo das suas sociedades mais ou menos desenvolvidas, mais ou menos instruidas, mais ou menos capacitadas e intervenientes. E é pela Escola que se começa o caminho. A Escola deve ser a “place of light, of liberty, and of learning.”

Vale a pena pensar nisto.

“Toda a vida temos de ser estudantes e estudiosos, aprendizes e mestres, leitores e escritores, alunos e professores.” 

Raul Diniz

A Escola de Valores e a humanização…o compromisso ético da Educação

02-11-2017 13:48

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Nascido na cidade do Porto, em 1951, o Profº José Pacheco tem sido, desde há largos anos, um grande dinamizador da Educação democrática e um crítico do sistema tradicional de ensino. Foi eletricista, formou-se em Engenharia, integrou o Ensino, como Profº primário e universitário,  o Conselho Nacional de Educação e é mestre em Educação da Criança, pela Universidade do Porto. Na sua opinião – e na minha também – a aula tradicional é um sistema obsoleto de reprodução de conteúdos, que deixa a desejar naquilo que é o mais importante objetivo educacional: a humanização do indivíduo.

Mentor e prioneiro de uma nova estratégia educativa, implementada na Escola Básica da Ponte, em Santo Tirso, na década de 70 e que inclui referenciais organizacionais, pedagógicos e metodológicos próprios, ao abrigo do Contrato de Autonomia, em meados de 2017 o Profº José Pacheco é já o indutor de mais de 100 projetos para uma nova Educação no Brasil e colaborador voluntário no Projeto Âncora, que segue o mesmo método de ensino do da Escola da Ponte.

Considero-o como um verdadeiro mentor de uma Educação eficiente e eficaz, uma Educação de valores, com imensas provas dadas de sucesso e de bem-estar educacional, que torna os/as alunos/as felizes.

É por tudo isto que convidei o Profº Pacheco a ser entrevistado no âmbito da rubrica Mindset Experts do Blog.

P.M. –  Profº, conte-nos como se verificou a tomada de consciência acerca da necessidade de mudança no sistema educativo.

J.P. – Nos idos de 1970, eu estava quase a desistir de ser professor. Sentia que, “dando aulas”, estava a excluir gente. Percebi que não devia continuar a dar aulas, mas eu não sabia fazer mais nada! Só sabia dar aula. A Ponte surgiu, talvez não por acaso, para me dar uma última oportunidade.

Era uma escola como qualquer outra, escola pública degradada, que albergava as chamadas “turmas do lixo”, maioritariamente constituídas por jovens de 14, 15 anos, que não sabiam ler nem escrever, e que batiam nos professores. Ali, encontrei duas pessoas, que faziam as mesmas perguntas que eu fazia: “porque é que eu dou aulas bem dadas e há alunos que não aprendem?”

Foi, então, que aconteceu algo inusitado. Como quaisquer outros professores, éramos profissionais competentes. Porém, deparávamo-nos com a falta de um compromisso ético com a profissão. Precisávamos mais de interrogações do que de certezas que nos tinham inculcado.

P.M. – Essa tomada de consciência foi imediata ou foi algo que foi acontecendo e se foi fundamentando à medida que lecionava?

J.P. – Foi um processo longo e doloroso. Chamaram-nos loucos, lunáticos e outros epítetos que, por pudor, aqui não irei reproduzir…

Quando fiz as primeiras intervenções públicas, mais do que dizerem que o projeto era um arroubo de jovem professor, diziam-me que, quando eu fosse mais velho, iria ganhar juízo. E os detratores agiram de forma violenta explícita. O projeto da Ponte foi feito de sofrimento e resiliência. Quando conseguimos alcançar excelentes resultados, o sofrimento maior foi termos descoberto que muitos desses ataques eram provenientes de escolas próximas. Apercebemo-nos de que o maior aliado de um professor é o outro professor, mas, também, de que o maior inimigo de um professor, que ouse fazer diferente para melhor, é o professor da escola do lado.

P.M. – Teve dúvidas quanto ao que poderia fazer, ao que podia introduzir de novo?

J.P. – Ainda hoje tenho dúvidas…

P.M. – Esse processo de mudança foi difícil de implementar?

J.P. – Um dia, talvez eu conte a história da Escola da Ponte. No decurso de mais de quatro décadas, foram muitas as ações da maldade humana dirigidas contra a Ponte. Da destruição da nossa horta à destruição do hospital de animais, que as crianças cuidavam com tanto desvelo, ações levadas acabo por criminosos a soldo de políticos locais, que pintaram com o sangue das vítimas na parede da escola: Morte ao professor. Do lançamento de panfletos, na calada da noite, contendo acusações falsas, até à publicação de boatos em jornais. Do terrorismo verbal, via telefone, até à agressão física. Há cerca de uma dúzia de anos e com burocráticos argumentos, um ministro de má memória também tentou destruir o projeto da Escola da Ponte. Os sindicatos, a universidade e a sociedade civil impediram que essa obscenidade ministerial obtivesse êxito. No caso de Monsanto, os professores permitiram que o autoritarismo imperasse e que critérios de natureza pedagógica fossem desprezados. Permaneceram apáticos. Mais uma vez, nada fizeram para acabar com a impunidade. É estranho e pesado esse obsceno silêncio.

P.M. – O que sentiu, aquando dos primeiros resultados?

J.P. – Sentimos um misto de surpresa e algum orgulho. Mas também cansaço e contenção. Quarenta anos depois, a Escola da Ponte tem nota máxima na avaliação externa do Ministério da Educação. Mas isso não ilude a necessidade de recomeçar, de rever processos, pois os projetos deverão estar em permanente fase instituinte.

P.M. – Um conceito de escola sem aulas, sem turmas, sem provas, em que os/as alunos/as são os protagonistas e com resultados comprovadamente eficazes. Em que reside este sucesso?

J.P. – Se, há mais de quarenta anos, o modo com a escola funcionava negava a muitos seres humanos o direito à educação, a escola não poderia continuar a ser gerida desse modo. Se o modo como nós trabalhávamos não lograva assegurar a aprendizagem a todos os alunos, nós não poderíamos insistir nesse modo de ensinar.

Quando modificamos o modo, asseguramos a todos o direito de ser sábio e feliz. Começamos a receber alunos expulsos de outras escolas, alunos chamados “deficientes”, acolhíamos jovens evadidos de outras escolas, enfim!  Todos se transformavam e aprendiam.

O “sucesso”, que referes, reside na recusa de práticas antiéticas.

P.M. – Como define uma Escola de valores?

J.P. – Escolas são pessoas. Não são edifícios! E as pessoas são os seus valores. Quando esses valores são transformados em princípios e os princípios são assumidos em ação, dão lugar a a projetos.  Bastará refletir sobre palavras chave de projetos do século XXI (comunidade, rede, círculo…). São incompatíveis com a manutenção de órgãos unipessoais e hierarquias burocratizadas. Autonomia não rima com hierarquia…

É necessário passar de uma cultura de solidão para uma cultura de equipe, de corresponsabilização, cooperação. Sozinhos, os professores nunca conseguirão ensinar tudo a todos.

O professor assume dignidade profissional, sendo autónomo-com-os-outros. Enquanto o exercício da profissão não se pautar por critérios de natureza pedagógica, enquanto a burocracia prevalecer em detrimento da pedagogia, os professores continuarão a ser considerados os “bodes expiatórios” dos males do sistema. Faltará apenas que os professores assumam atitudes coerentes com os valores contidos nos seus projetos de papel. Que, em todo o tempo de aprender prevaleça a prática de uma comunicação horizontal, dialógica, em contraste com a cultura predominante nas escolas, uma cultura assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos.

Sejamos esperançosos. Assisto ao surgimento de projetos geradores de espaços de convivência reflexiva, de que as escolas carecem. Vejo cuidar da pessoa do professor, para que ele se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores e alunos como pessoas. Vejo valores em prática.

P.M. – Que diferenças foram notadas na Escola da Ponte, entre os/as alunos/as do sistema anterior e os/as do novo sistema educativo?

J.P. – Sobretudo, uma mudança dos comportamentos, uma profunda mudança nas atitudes. Passaram de objetos de ensino a sujeitos em aprendizagem.

P.M. –  Neste momento, o Governo parece ter tido a vontade de mudar e existem um conjunto de Escolas que vão ser Escolas-piloto em termos de autonomia pedagógica. Não considera que existem já provas suficientes quanto ao “caminho” certo e que essa autonomia deveria ser alargada a todas as Escolas?

J.P. – Parece… Mas pressinto que se aproximam novas e subtis regulações.

Acredito nos professores e parto daquilo que eles são, para que se sintam seguros num processo de mudança de uma escola dependente para uma escola autónoma. Talvez apenas seja preciso que os professores, para além de serem competentes, sejam éticos, para que a mudança se opere.

O país alimenta um sistema de ensino baseado na burocracia. Recordo um lamentável episódio. No fim de um ano letivo, com assiduidade plena e significativas aprendizagens realizadas, os alunos da escola de Monsanto “reprovaram por excesso de faltas”. Eu sei que parece mentira, mas aconteceu…

Tudo começou em 2014, quando uma escola acabada de inaugurar foi encerrada pelo Ministério de Educação. Os pais dos alunos optaram pelo ensino doméstico, o agrupamento de escolas deu luz verde ao processo e as crianças foram acompanhadas por duas professoras. Porém, no primeiro dia de aulas do ano letivo seguinte, os pais foram informados de que o ministério não reconhecia a avaliação positiva aos alunos, atribuída pelas docentes. O ministério considerava ilegal a situação dos alunos, enquanto a Comissão de Proteção de Crianças afirmava que o alegado “abandono escolar” não fora provado.

Os pais dos alunos pediram nova transferência dos seus filhos para o ensino doméstico, pedido que, garantem, foi aceite. E, enquanto o caso não se resolvia, uma escola recém-inaugurada e que custou cem mil euros, esteve fechada. As crianças foram transportadas para a sede do município, que dista trinta quilómetros de Monsanto, duas viagens diárias impostas por burocratas, que “acham” que as crianças devem estar fechadas no interior de um edifício a que chamam escola, numa sala de aula com x metros quadrados de área, durante x número de horas em x dias ditos letivos.

P.M. – “A aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende”, é uma das suas frases. Fale-nos um pouco desse vínculo afetivo.

J.P.- Com ou sem novas tecnologias de informação e comunicação, a escola precisa ser reinventada, libertando-se de práticas sem resquícios de cooperação, concebidas para alunos dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais.

Poderá acontecer aprendizagem, se forem criados vínculos. Esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética… A aprendizagem é antropofágica. Não aprendemos o que outro diz, aprendemos o outro. Se tentarmos recordar-nos de um professor de quem não gostamos, compreenderemos por que pouco, ou mesmo nada aprendemos na disciplina por ele lecionada.

P.M.- O sistema educativo que defende, baseia-se em projetos ou área de projeto, correto? Explique-nos um pouco essa metodologia de aprendizagem.

J.P. – Nas escolas que acompanho, foram abolidas segmentações e a aula deu lugar à prática da metodologia de trabalho de projeto, logrando garantir a todos o direito à educação consagrado na Constituição.

No edifício da escola, nas praças, nas empresas, nas igrejas, nas bibliotecas públicas e centros culturais, passamos a contemplar um novo modo de desenvolvimento curricular, duas vias complementares de um mesmo projeto: um currículo subjetivo, nem projeto de vida pessoal, a partir de talentos cedo revelados; um currículo de comunidade, baseado em necessidades, desejos da sociedade do entorno.  

P.M. – Uma última questão, Prof., em que consiste o Projeto Âncora, implementado no Brasil e em que sentido se encontra envolvido no mesmo?

J.P. – Acompanho mais de cem projetos no Brasil, mas muitos mais projetos agitam as águas paradas da educação do Sul. O Projeto Âncora é o mais conhecido. Ganhou fama internacional, após as visitas de muitos pesquisadores estrangeiros, que puderam testemunhar, na prática, a excelência académica e a inclusão social. No Projeto Âncora, todos veem garantido o direito à educação. Ajudei a concebê-lo. E nele participei, diretamente, durante três anos. Agora, que ele “já vai pelo seu pé”, afastei-me, para iniciar um novo projeto, em Brasília. Este irá além da Escola da Ponte e do Projeto Âncora.

P.M. – E planos para Portugal? Existem novos projetos?

J.P. – Apesar dos pesares, nunca desisti de Portugal… Acompanho, à distância, alguns promissores projetos. E neles participarei presencialmente no mês de Maio de 2018.

P.M. – O que lhe vai na alma?

J.P. – Sejamos esperançosos. Assisto ao surgimento de projetos geradores de espaços de convivência reflexiva, de que as escolas carecem. Vejo cuidar da pessoa do professor, para que ele se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores e alunos como pessoas.

P.M. -Que mensagem deixaria aos professores e professoras do nosso país?

J.P. – O professor assume dignidade profissional, sendo autónomo-com-os-outros. Porque um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é.

E enquanto o exercício da profissão não se pautar por critérios de natureza pedagógica, enquanto a burocracia prevalecer em detrimento da pedagogia, os professores continuarão a ser considerados os “bodes expiatórios” dos males do sistema. Faltará apenas que os professores sejam, efetivamente, críticos, reflexivos das suas práticas. Que, na relação com qualquer parceiro, se elimine o “período letivo”, o trimestre, o ano letivo… Que, em todo o tempo de aprender prevaleça a prática de uma comunicação horizontal, dialógica, em contraste com a cultura predominante nas escolas, uma cultura assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos.

Muito obrigada Profº José Pacheco. Foi uma honra ter o seu testemunho de vida e de experiência educativa no meu Blog. Até sempre. As maiores felicidades para os seus projetos.

Dia do Perfil do Aluno…o princípio de uma carreira feliz?

15-01-2018 13:59

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Hoje, dia 15 de Janeiro/18, debate-se numa Conferência em Lisboa e em direto via internet, o Perfil do Aluno do séc. XXI. Hoje, finalmente, pode dar início uma mudança estrutural fundamental no ensino e uma alavancagem para a felicidade na escola e no trabalho. Quero acreditar que sim. Que o Ministério da Educação, em colaboração com a Federação Nacional de Associações de Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário e todas as escolas que hoje têm sido convidadas a participar no evento, se juntem em uníssono numa verdadeira reflexão de mudança que urge ser operacionalizada em Portugal.

A aquisição de saberes tem de ser estimulante, promotor do desenvolvimento e crescimento pessoais das crianças, jovens e adultos. A Escola tem de se tornar num lugar aprazível, que desperte o gosto pela aprendizagem, o autoconhecimento, a capacidade reflexiva e crítica, a proatividade, a sociabilidade, a investigação. O método expositivo terá de ser conciliado cada vez mais com o método interrogativo, com trabalhos de grupo, com a transposição da teoria para a prática. Só assim se interioriza o fundamental em cada disciplina. 

A Escola deverá ser encarada como um processo natural de descoberta de vocações para que mais tarde, na fase das escolhas, os/as jovens se aproximem com segurança das áreas para as quais têm maior aptidão. Para que os/as jovens em consciência escolham e escolham bem, de acordo com o que gostam, de acordo com o que os/as apaixona profissionalmente.

É na Escola que se inicia um percurso profissional feliz, que se constroem cidadãos e cidadãs felizes, que se erguem sociedades felizes, plenas de bem-estar pessoal e social.

Que o Dia do Perfil do Aluno se cumpra na sua missão.

“O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho, afirma-se como referencial para as decisões a adotar por decisores e atores educativos ao nível dos estabelecimentos de educação e ensino e dos organismos responsáveis pelas políticas educativas, constituindo-se como matriz comum para todas as escolas e ofertas educativas no âmbito da escolaridade obrigatória, designadamente ao nível curricular, no planeamento, na realização e na avaliação interna e externa do ensino e da aprendizagem.” Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho

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