Faróis portugueses, uma luz na história marítima…

Portugal conta com 30 faróis no Continente, 16 nos Açores e 7 na Madeira, constituindo um património inestimável iniciado por volta do sec. XVI. Portugal tem uma notável história marítima. Velejadores Portugueses, lançaram e lideraram a Idade das Descobertas Europeias, e navios Portugueses, têm vindo a encontrar o seu caminho de regresso a casa a partir dos longínquos cantos do mundo desde há cerca de 600 anos. Não surpreende que os faróis tenham desempenhado um papel importante na cultura portuguesa, e que sejam hoje monumentos nacionais muito acarinhados.

Durante o dia, cada farol é facilmente identificável pela sua cor, forma ou dimensão. A partir do crepúsculo, o reconhecimento é feito pelo tempo de luz que um farol está aceso, o tempo que está apagado e a frequência com que repete o mesmo ciclo e que é diferente de farol para farol. Numa época em que praticamente todas as embarcações estão dotadas de radares, sistemas de GPS e afins, a missão dos faróis não está em risco pois “O farol nunca se apaga. Se tudo o resto falhar nós estamos aqui.” (Palavras de Medeiros Migueis, faroleiro do Cabo da Roca). 

A origem dos faróis remonta ao uso de fogueiras mantidas em pontos conspícuos ou em torres pelas comunidades piscatórias para referência dos navegantes e, mais tarde, pelas irmandades religiosas, as quais remontam ao início do século XVI. A mais antiga referência histórica a faróis portugueses data de cerca de 1515 e fala de um farol instalado no convento do Cabo de São Vicente, antecessor do que lá existe actualmente. A primeira estrutura classificável como farol, terá sido mandado erigir em 1528 na foz do Rio Douro pelo Bispo D. Miguel da Silva, em S. Miguel o Anjo. Existem também referências a um farol mandado erguer pelo Bispo do Algarve, D. Fernando Coutinho, no convento de S. Vicente, entre 1515 e 1520, e que em 1537, os frades da Irmandade de Nossa Senhora da Guia de Cascais terão construído uma torre para servir de farol.

Até ao reinado de D.José I a sinalização marítima era quase inexistente e a que havia estava a cargo de particulares, que acendiam fogos nos pontos mais altos ou visíveis servindo de aviso e orientação, ou então, com intuito de assaltarem os mais incautos, faziam-nos esmagar contra as falésias ou baixíos. Contudo, só em 1 de Fevereiro de 1758 por alvará do Marquês de Pombal, passou o serviço de farolagem a ser uma organização oficial, cometida à Junta do Comércio, na sequência do qual foi ordenada a construção de faróis, dos quais o primeiro foi o de Nossa Senhora da Luz em 1761 .

«Eu El-Rei faço saber aos que este alvará com força de Lei virem que o grande perigo que correm os navios que buscam a barra de Lisboa e de Setúbal, portos do Algarve e barras da cidade do Porto e vila de Viana (…) servir os navegantes de marca e guia para se desviarem oportunamente de fazerem naufrágio da mesma forma que se pratica útil e necessáriamente nos outros lugares marítimos da Europa».

O primeiro farol na costa portuguesa a entrar em funcionamento foi o farol de Nossa Senhora da Luz, a norte da barra do Douro, no Monte da Luz e construído em 1761. Foi desactivado em 1945.

Mas, os nossos faróis, sendo um património histórico e cultural, para além das vistas panorâmicas que oferecem, estão de portas abertas a quem os quiser visitar.

«Passando o Promontório Bárbaro (cabo Espichel) para o litoral Tejo, vemos, ao poente, avançando para o oceano, o Promontório da Lua (cabo da Roca)onde começava o domínio dos antigos Túrdulos (…) Mais para dentro, a pequena distância, no extremo da abertura do estuário de Lisboa, assenta sobre cachopos uma ermida, dedicada a Nossa Senhora, chamada da Guia.à noite, acendem aliu ns fachos para indicarem o trajecto aos mareantes, não seja caso que estes, por não lobrigarem a passagem, arremessem, contra vontade, as naus para os baixios e rochedos»

Damião de Gois, “Lisboa Quinhentista” (1554)

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